Como conciliar trabalho e família: o que homens e mulheres podem fazer em prol deste equilíbrio

11 de junho de 2020
Por  Iron English

Sim, este texto vai tratar sobre como conciliar trabalho e família. Não, este texto não se endereça somente às mulheres que, além de serem responsáveis por gerir seus lares, trabalham fora e dentro de casa, mantendo, em paralelo ao trabalho doméstico, uma carreira profissional.

 

Você, homem, que tem um relacionamento afetivo com sua companheira que (também) trabalha fora, ou ainda que possui uma família que depende de você, não importa qual seja a sua configuração, é evidente que você está mais do que convidado a participar dessa leitura. Digo mais: é essencial que você a faça! Sobretudo se você quer produzir alguma diferença e se posicionar de maneira efetiva não só como profissional, mas junto aos seus familiares como um agente cuidador do seu próprio lar.

Digo isso porque, de praxe, ao buscarmos, por exemplo, na Internet, referências sobre este assunto, as imagens que os buscadores nos devolvem de imediato como primeiros resultados de pesquisa não são senão aquelas de mulheres com crianças pequenas no colo em frente às telas dos seus respectivos notebooks

E se vamos ainda mais longe nesta mesma seção de imagens, as figuras femininas se multiplicam em nossas telas. A mensagem parece ser uma só: existe um consenso, na forma como nossa  sociedade é estruturada hoje, de que conciliar estes dois universos não diz respeito senão às mulheres, que esta é uma preocupação, portanto, que aflige a um só gênero. O pressuposto seria de que não caberia, então, aos homens pensar e propor soluções sobre o assunto. Mas será mesmo?

Aqueles que têm uma família são igualmente responsáveis por ela, havemos de concordar com isso. E a consequência mais básica dessa afirmação é igualmente lógica: cabe a todos os adultos que trabalham, seja em casa ou fora dela, e que constituem uma mesma família, conciliar essas duas esferas. 

E por que fazê-lo? Bom, o esforço em harmonizar o tempo que passamos trabalhando com o tempo que passamos com a família garantirá um enorme ganho para todos os envolvidos, pois esses esforços mostrarão resultados justamente na melhora da qualidade de vida de homens e mulheres, afinal, passar tempos significativos junto àqueles que amamos é importante não só para nossa saúde mental, mas também para o nosso desempenho profissional. E todo mundo quer estar satisfeito em todos os domínios de sua vida, não é?

Para fazer isso, e dar os primeiros passos em direção a um equilíbrio entre carreira e família, há algumas dicas importantes que podem nortear a organização de tempo e energia entre essas duas coisas na vida de cada um. São elas:

 

  • Não se culpabilize!

Não faz bem para si próprio se culpabilizar por estar se dedicando à sua atividade profissional ao invés de estar próximo dos membros da sua família, sobretudo das crianças pequenas, ao longo dos dias de trabalho. Isso obviamente atrapalha a sua concentração no serviço, e pode pautar atitudes “compensatórias” para com sua família, quando na verdade isso não é saudável para ninguém.

Sabemos, no entanto, que esse sentimento de culpa costuma existir mais frequentemente entre as mulheres (isso quando não são os outros a culpá-las) e não tanto entre os homens, não é mesmo? E por quê?

Enquanto os homens costumam pensar que o trabalho é prioridade ‒ porque, afinal, é a atividade remunerada que viabiliza o sustento da casa ‒, e se orgulham do papel de provedores do lar que lhes foi socialmente atribuído, as mulheres ainda hoje se penalizam por terem feito escolhas profissionais, escolhas essas que permitem igualmente que haja comida na mesa e algum conforto material para a sua família. Isso porque, ao dar espaço para seu desenvolvimento pessoal, muitos acreditam que, assim, ela esteja abrindo mão dos cuidados do seu lar.

Fica parecendo que, no caso das mulheres, cuidar de alguém se faz somente no contato direto com as outras pessoas, quando isso não é inteiramente verdade. Trabalhar para conseguir criar com dignidade a sua família é igualmente um jeito de mulheres cuidarem delas. 

Contudo, um homem que prioriza sua carreira não é visto com os mesmos olhos inquisidores que uma mulher é vista. Ninguém o questiona por não estar cuidando suficientemente da sua casa e dos seus filhos. Mas não seria igualmente esperado da parte dos homens que eles também se sentissem incomodados em não estarem passando tempo suficiente junto aos seus quando passam mais tempo no trabalho do que em casa?

 

  • Não idealize!

Não existe profissional perfeito assim como não há pais ou cônjuges perfeitos, ainda mais quando dividimos nossas vidas entre trabalho e família. Para evitar frustrações, é importante deixar idealizações de lado e focar, finalmente, naquilo que é passível de ser feito, seja no âmbito profissional ou no privado, ainda que não consigamos fazer tudo. 

E tudo bem não dar conta de tudo. É importante que saibamos estabelecer prioridades. Sempre haverá aquilo que deve ser realizado com urgência e aquelas outras tarefas que podem esperar para serem resolvidas outro dia, em casa e no trabalho.

Assim, ao invés de almejarmos sempre um ideal inalcançável, e nos martirizarmos por nunca atingi-lo, podemos começar sempre por baixar nossas tão grandes expectativas, seja sobre o outro, seja sobre nós mesmos. Desse modo, passamos a concentrar nossas energias em darmos ao outro e a nós aquilo o que temos de melhor dentro da nossa possibilidade.

Pode parecer clichê, mas quando estamos desempenhando inúmeras funções, sermos o melhor que podemos ser, e conseguirmos sê-lo, já é algo imenso.

 

  • Peça ajuda!

Não trate de querer bancar o Super Homem ou a Mulher Maravilha e enfrentar tudo sozinho, de boca fechada. Tenha uma rede de apoio. Fale. Peça ajuda. Isso não é sinônimo de fraqueza. 

Comece pedindo ajuda dentro de casa. Uma pessoa só não deve ser a única encarregada por cozinhar, limpar, lavar a louça, a roupa, acordar as crianças, vesti-las, dar comida, banho, levar na escola, colocar para dormir, e etc., e ainda ter que trabalhar antes e depois disso.

Mas é igualmente importante que sejamos humildes o suficiente para entendermos que não somos os únicos que podem desempenhar com maestria uma atividade X ou Y, julgando que o outro talvez não saberia fazê-la tão bem como nós faríamos. Deixe que o outro tenha a chance de realizá-la à forma dele. Não há um único jeito certo de fazer as coisas. Se você pediu ajuda, aceite-a como ela veio.

 

  • Compartilhe a carga mental com seu parceiro!

Não deixe que uma só pessoa seja responsável por prever e organizar tudo sobre a rotina da casa. Não espere que haja sempre um de vocês a apontar o que deve ser feito, como e quando. Isso sobrecarrega mentalmente aquele que age como se fosse o computadorzinho da casa, a regrar todas as atividades diárias do lar. 

É preciso lembrar que existem diferentes formas pelas quais o cansaço se produz. E pensar em tudo o tempo todo cansa, ainda mais porque provavelmente não é só em casa que essa  pessoa é obrigada a fazer esforços mentais.

Por isso se organizem, entre si e a si mesmos. É preciso organizar tanto as atividades da casa como as atividades profissionais. E dividam tarefas. Não sobrecarreguem nenhum dos lados. 

 

Não leve trabalho para casa!

Desfrutar de momentos de qualidade com sua família é sobre se concentrar em viver aqueles instantes preciosos junto aos seus, sem contaminá-los com preocupações profissionais. Por isso,  não ajuda se você continuamente trouxer suas atividades do trabalho para os seus  momentos de lazer.

Lembram-se do primeiro tópico deste artigo sobre culpa? Se no trabalho, você segue pensando na sua casa, e na sua casa, você segue pensando em seu trabalho, no final das contas, você não vivenciou plenamente nenhum dos seus papéis.

Faça, portanto, um esforço para delimitar bem quais momentos da sua vida serão dedicados à sua família, e quais serão dedicados ao trabalho. E viva cada um deles com sua atenção plenamente voltada a eles.

 

Gostou das dicas? Você já colocava alguma delas em prática? Existe alguma outra estratégia que você usa para conciliar trabalho e família? Conta para a gente nos comentários!

 

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