Criatividade e inovação: importância e métodos de implantação

18 de junho de 2020
Por  Iron English

Se fossemos realizar um exercício mental de tentar imaginar o que a Uber, a Amazon e a Google têm em comum, provavelmente muitos de nós apontaríamos para a inovação como sendo uma das principais características comuns às essas empresas de sucesso que se consolidaram no imaginário do seu público justamente por serem, de alguma maneira, disruptivas.

É preciso, contudo, nos desvencilharmos da ideia de que, para sermos criativos e inovadores, é preciso sermos, antes, tão grandes quanto aquelas que figuram em nosso paradigma. A bem da verdade, mesmo uma pequena empresa pode sê-lo, desde que ela coloque para si como princípio manter uma cultura de incentivo e valorização da inovação. Assim, mesmo que o seu produto ou serviço a princípio não seja em si algo de absolutamente inovador, certamente em seus processos internos, a empresa trará soluções que o sejam, construindo, assim, melhorias em seus produtos.

É preciso considerar então que, diante da complexidade do mercado atual e da sua crescente digitalização, encontrar formas de pensar e de propor soluções para acompanharmos as mudanças do consumidor é fundamental, e constitui provavelmente o principal desafio das empresas que, hoje, se preocupam em criar maneiras diferentes de inovar em produtos, serviços, projetos e soluções. 

Nesse sentido, poder contar com profissionais que pensam de forma criativa é, sem dúvidas, a forma mais simples de cumprirmos com tal missão. No entanto, se a criatividade não figurava, antes, como uma característica a ser priorizada durante o processo de recrutamento da empresa, já é mais do que passado o momento de pensarmos, então, em outras formas de incentivar entre os nossos próprios colaboradores tais habilidades criativas.

Para isso, tanto o RH quanto os gestores da empresa precisam entender mais sobre técnicas e ferramentas de incentivo à criatividade e inovação. É, portanto, nossa missão explicar um pouco mais sobre esse assunto.

 

Diferença entre Criatividade e Inovação

A criatividade está frequentemente relacionado a uma idéia ou uma nova forma de perceber ou pensar algo. Ela existe como uma habilidade que libera o potencial do nosso cérebro em conceber ideias e formar pensamentos que costumam fugir dos padrões. 

Já a inovação está mais ligada à ação, ao resultado. Ela é a materialização das ideias criativas, por meio da criação ou oferta de uma nova ação, função, habilidade ou melhoria de um sistema que já conhecemos, trazendo, assim, melhorias significativas para o que já conhecemos, ou simplesmente criando algo totalmente novo.

Quando tratamos de uma empresa, uma ideia criativa deve ser mais do que algo original, deve ser algo viável e útil, afinal, se não for assim, a inovação propriamente dita não será possível, pois não há de ser vantajosa para o negócio. 

 

 Barreiras individuais à criatividade

Nem sempre é fácil ser criativo, principalmente se a pessoa nunca foi incentivada a pensar “fora da caixinha” ao longo da sua vida. Essa mudança de mindset  leva tempo, e demanda motivação e incentivo por parte da empresa e do seu líder direto.

Além disso, podemos ainda listar outras dificuldades que colaboradores podem encontrar ao tentar desenvolver sua criatividade, são elas:

Acúmulo de conhecimentos: uma pessoa que sabe muito sobre determinado assunto e que se sente extremamente segura com relação ao que ela sempre  produziu (e que sempre deu certo), tende a achar que conhecer os resultados de todas as ações. É mais difícil, portanto, para ela, se abrir a algo novo, lúdico e criativo, posto que ela está acostumada a racionalizar de sempre do mesmo modo.

Ideias preconcebidas: se a pessoa já tem uma ideia formada sobre algo, é mais difícil que ela consiga pensar diferente sobre uma coisa sobre a qual ela tem uma ideia preconcebida.

Escassez de tempo: essa pode ser uma grande barreira da criatividade, afinal em tempos onde o tempo é dinheiro, dificilmente os profissionais se dão ao luxo de parar e dedicar um tempo significativo unicamente para pensar sobre algo de forma criativa. Infelizmente, a criatividade pode não funcionar sob pressão, principalmente de tempo.

Medo do ridículo: é mais comum do que se imagina! Muitos podem ter vergonha ou medo de se expor, e por isso acabam não expressando suas ideias criativas.

Excesso de pensamento vertical: é o tipo de pensamento com excesso de lógica ou ainda que tenha tendência em aceitar tudo o que venha dos seus superiores sem refletir mais sobre essas decisões.

 

Barreiras de grupos e organizacionais à criatividade

Os desafios e barreiras à criatividade são muitos e não se limitam às barreiras individuais: há  obstáculos de ordem coletiva  e também aqueles relacionados à organização; são eles:

Conflitos: entre departamentos ou entre colaboradores, um conflito não resolvido ou uma competição excessiva ao longo do tempo pode ser uma grande barreira para uma dinâmica de grupo de incentivo à criatividade e à colaboração.

Desconhecimento: se a pessoa não conhece bem o lugar, as atividades ou a função que os demais funcionários exercem dentro do seu local de trabalho; se ela desconhece os objetivos e o propósito da empresa, ou ainda se ela não conhece suficientemente bem o problema em si para o qual se precisa pensar uma solução, evidentemente será mais difícil para ela ter o embasamento necessário para pensar a seu respeito de maneira criativa.

Cultura empresarial rígida: se a estrutura organizacional é rígida demais, se na empresa predomina um estilo de liderança autocrática, ou ainda se o clima no ambiente de trabalho é de negatividade ou insegurança, pode ser que tudo isso constitua uma barreira na hora dos colaboradores tentarem sugerir ideias novas. 

Condução deficiente: se os líderes não sabem incentivar o pensamento criativo entre os seus colaboradores, será difícil para eles conduzirem, assim, toda uma equipe pelo caminho onde a criatividade predomine e gere resultados.

Política de desenvolvimento: se a empresa não tem uma política de promoção e desenvolvimento adequada de seus colaboradores, fica difícil incentivar e motivar a equipe a se dedicar e buscar por ideias criativas.

 

Como realizar o planejamento de uma atividade coletiva

Planeje: organize com antecedência como será a dinâmica do grupo, pense em qual técnica usará, qual a proposta a ser apresentada: se há um problema, qual é ele? Se existe a necessidade de se criar algo, o que seria? E assim sucessivamente. O importante é que o condutor da dinâmica já esteja com todo material pronto para ser aplicado no contexto da atividade.

Participantes: dependendo da técnica, da dinâmica e do objetivo, é importante analisar quem são os participantes que podem contribuir mais para o resultado da dinâmica. Importante também trabalhar a diversidade dos integrantes, afinal, se aquele que conduzir a dinâmica trouxer apenas pessoas que pensam de modo parecido, haverá unanimidade sobre tudo, e o debate não se abrirá à novas ideias.

Quebra do gelo: essa etapa é importante para descontrair a equipe, criando um clima ameno para que as dinâmicas tenham sucesso. Fazer brincadeiras, propor conversas mais descontraídas, são estratégias que contribuem para esse objetivo. A ideia é que, desde o início, os participantes se sintam à vontade e livres para se manifestar e propor ideias, sem receios ou medos de se expor. 

Pós-dinâmica: tão importante quanto o início é o fim da dinâmica. Uma vez finda, é hora de pensar sobre os resultados alcançados pelo grupo: quais conclusões a empresa ou líderes chegaram após analisarem seus resultados? O que foi implantado efetivamente? Enfim, é preciso que a empresa ou o líder dê feedbacks aos participantes sobre os desdobramentos da dinâmica e seus resultados. Dessa forma, todos entendem que sua participação não foi em vão e começam a dar mais importância para esses processos de incentivo à criatividade e inovação.

 

Métodos e técnicas de criatividade 

Existem muitas técnicas a serem aplicadas em grupos com o intuito de incentivar o pensamento criativo e a inovação, e que podem trazer novas ideias, soluções de problemas, aperfeiçoamento de processos ou qualquer outro objetivo que a empresa tenha. 

Algumas técnicas são mais elaboradas e precisam ser aplicadas por especialistas, mas muitas outras são de fácil aplicação e podem dar resultados práticos no dia a dia das empresas e gestores, como exemplo:

 

  • Brainstorming

O brainstorming (“tempestade de ideias”, em tradução literal) é uma técnica que tem como objetivo gerar um grande volume de novas ideias. A técnica se baseia em princípios como foco em quantidade, ausência de críticas às ideias e combinação de ideias.

Para funcionar corretamente é preciso seguir alguns princípios como:

Foco na quantidade: quanto mais ideias, melhor. O brainstorming aceita que é possível encontrar qualidade dentro da quantidade.

Evitar a crítica: ideias não devem ser criticadas durante a sessão de brainstorming. Como o objetivo é focar na quantidade e estimular todos os integrantes a participar, nenhum julgamento é feito sobre as ideias propostas.

Apreciar ideias fora do comum: como o objetivo é coletar o maior número de ideias e identificar novas abordagens na solução dos problemas, ideias que fogem dos conceitos conhecidos ou esperados são bem-vindas.

Combinar e melhorar ideias: esse é um ponto importante do brainstorming, por entender que é possível criar ideias inteiramente novas por associação, isto é, por combinações de ideias já propostas.

Evolução dos resultados: o líder precisa mostrar para a sua equipe como os projetos realizados com base no brainstorming estão evoluindo. Essa prática é fundamental para motivá-la ainda mais na busca por melhores ideias.

O brainstorming é um momento de reflexão, interação e descobrimento que deve se tornar um hábito nas empresas. Mas é importante que as visões e ideias levantadas sejam transformadas em realidade ou ele se torna uma perda de tempo.

Além disso, o brainstorming geralmente pode ser combinado com outras técnicas aqui apresentadas.

 

  • Método 635 ou Brainwriting

Muito usado para analisar e encontrar soluções para problemas. Essa técnica requer obrigatoriamente a participação de um grupo formado por 6 participantes.

Apresenta-se um problema ao grupo e distribui-se uma tabela de 3 colunas com 6 linhas. Cada participante irá registrar três soluções para o problema em cada primeira linha. 

O primeiro participante preenche as 3 primeiras linhas, depois de um tempo, a tabela é entregue ao participante ao lado, que tem 5 minutos (a critério do condutor) para gerar mais três soluções, a dinâmica desse processo termina quando o formulário de cada participante retorna a ele.

 A seguir, veja um exemplo de tabela que pode ser entregue a uma equipe:

 

1 – Problema: A equipe comercial está desmotivada e insatisfeita com seus benefícios.

Ao final, todas as propostas são analisadas e, então, dentre elas são escolhidas as melhores que, após serem detalhadas, poderão ser, enfim, implantadas para resolver o problema levantado no início.

 

  • Lista de atributos

Atributo é uma característica, uma propriedade ou ainda um detalhe que serve para identificar, qualificar, classificar, quantificar ou expressar o estado de uma entidade. Entende-se por entidade qualquer objeto, sistema ou projeto.

Esta é uma técnica que considera, então, a entidade, identificando e caracterizando seus diversos atributos, levantando seus valores, de modo a combiná-los, para que assim se possa encontrar novas formas para tal entidade.

A técnica é ideal para criar ou melhorar um produto, serviço, sistema, processo ou projeto. Veja como organizar e montar a tabela de lista de atributos:

  • Primeiro, liste os atributos da entidade estudada.
  • Construa uma tabela com uma coluna para cada atributo.
  • Em cada linha da coluna, escreva os diferentes valores que o atributo possa ter.

 

Uma vez terminado este exercício, a tabela mostrará as possíveis variações de cada

atributo. Você poderá cruzar dados, por exemplo, de uma entrada numa coluna e combiná-las com as entradas de outras colunas. 

Um exemplo de como pode ficar a tabela:

1 – Análise de um produto X

Ao final,  você poderá examinar as combinações que lhe parecerem mais favoráveis, viáveis e rentáveis.

 

  • Positivo, Negativo e Interessante ou PNI

Seu principal objetivo é explorar uma idéia pela análise de seus pontos fortes, fracos e interessantes. Essa técnica ajuda a ver dois lados de um argumento, enxergar diferentes perspectivas, explorar ideias antes de fazer um julgamento e ainda fundamentar melhor as suas decisões.

Crie um quadro para ser utilizado em grupo da seguinte maneira:

Comece por delimitar uma situação/idéia/produto, etc. Depois, volte-se para o quadro.

 

1 – A empresa oferecerá curso de inglês gratuitamente para seus colaboradores que mais performaram.

Positivo: as boas coisas, o que você gosta na ideia.

Negativo: as coisas ruins, o que você não gosta.

Interessante: o que você acha interessante e que merece uma reflexão.

Explore detalhadamente cada ponto e seus porquês, você poderá colocar quantas situações ou análises e desdobramentos precisar durante a aplicação, explorando um de cada vez.

 

  • Seis chapéus para pensar

Esse é um método pensado para facilitar a comunicação de diferentes problemas e ideias. A técnica funciona da seguinte maneira: o problema é dividido em seus diferentes aspectos (chapéus). Em cada momento, o grupo “veste” o chapéu escolhido pelo facilitador e direciona o pensamento de acordo com o ponto de vista determinado pela cor do chapéu. Dessa forma temos as 6 cores:

 

Chapéu branco

Representa os dados, figuras e números concretos. É o chapéu dos fatos, que faz com que todos tenham uma visão geral do problema. 

Chapéu vermelho

É o chapéu do palpite, dos sentimentos e da intuição. Aqui são colocadas as percepções pessoais e emocionais de cada um, não sendo necessárias justificativas.

Chapéu verde

Esse chapéu está relacionado à criatividade e a geração de novas ideias. Faz-se sugestões, dá-se alternativas. Não há julgamento ou explicações.

Chapéu amarelo

Enquanto o chapéu verde serve para as ideias, o chapéu amarelo e preto servem para as críticas. No caso do chapéu amarelo, os participantes usam para apresentar os benefícios e pontos positivos em geral. 

Chapéu preto

O chapéu preto representa a parte negativa da ideia. Está relacionado ao julgamento, à visão crítica apurada e à identificação de riscos. Aqui é preciso pensar sempre no pior cenário, no que pode dar errado e no porquê de não funcionar. 

Chapéu azul

É o chapéu da visão panorâmica, coordenação e controle. Esse chapéu é usado durante todo o processo pelo facilitador, pois representa a orientação.

Se, após esses passos, o grupo chegou a um consenso e soluções de qualidade, o processo pode terminar. A sequência dos chapéus é decidida pelo facilitador, de acordo com sua necessidade, podendo repetir quantas vezes for preciso até chegar a uma conclusão. 

 

  • Nove Janelas

A técnica Nove Janelas pode ajudar a desvendar a complexidade de um problema. É uma ferramenta visual que permite analisar a situação sob diferentes perspectivas, ajudando especialmente a pensar sobre o problema, procurando resolvê-lo em termos de Tempo e Espaço. 

O princípio básico desta técnica consiste em dividir o universo do problema em nove segmentos como o quadro abaixo:

O tempo é relativo e depende do problema e da condução do facilitador, pode ser a longo prazo ou um futuro mais próximo. 

Já o subsistema consiste em partes que formam o sistema, e o macrossistema diz respeito ao ambiente onde o sistema funciona. Por exemplo, o macrossistema pode ser TRANSPORTE, sendo o sistema AUTOMÓVEL, e o microssistema MOTOR, FREIO, etc.

Há diversas maneiras de usar os conceitos de passado, presente e futuro para analisar e solucionar um problema. Podemos pensar na evolução de uma situação, de um produto produto, ou ainda em seu declínio ou usabilidade ao longo do tempo.

 

  • SCAMPER

O método SCAMPER foi desenvolvido para melhorar a criatividade e o desenvolvimento de ideias criativas. Ele consiste basicamente em uma lista de verificação de perguntas onde novas ideias são criadas. Este método é muito utilizado para repensar o problema ou criar uma nova oportunidade de negócio. Podemos também utilizar este método para modificar o projeto de um produto, serviço ou processo.

Essa técnica é muito útil para abrirmos a mente para novas maneiras de nos concentrarmos em um problema, e com isso podemos mudar toda a nossa capacidade criativa.

O método SCAMPER baseia-se em um acrônimo de sete tipos de perguntas que são formuladas para o desenvolvimento de uma ideia, neste caso as perguntas são formuladas para estimular respostas conforme a equipe analisa este pensamento criativo.

Você pode fazer um desenho para facilitar a organização das respostas, algo mais ou menos assim:

S – Substituir: Como é possível dar novos significados, abordagens, processos, posições, elementos, componentes, regras?

C – Combinar: Como criar ligas e conectar unidades, efeitos, recursos ou ideias? Como reunir diferentes produtos, tecnologias e/ou recursos para criar algo novo ou maximizar os benefícios oferecidos? Ao que isso pode ser associado?,

A – Adaptar: Como adaptar seu produto para um novo uso? O que é similar, paralelo? Ao que pode ser comparado, imitado? Como inserir isso de forma eficiente em um novo contexto, de modo a encontrar novas aplicações e explorar novos mercados?

M – Modificar: É possível atribuir a isso um novo ângulo? Alterar cor, movimento, som, odor, sentido e/ou forma? O que pode ser ampliado, reduzido, alterado ou fortalecido para tornar seu produto ou processo melhor?

P – Propor novos usos: É possível dar a isso uma nova utilidade, significado? Como inovar?

E – Eliminar: Como simplificar um produto ou processo e torná-lo mais eficiente? Quais características, componentes e regras podem ser eliminadas? É possível fazer algo reduzido e mais veloz?

R – Reorganizar: É possível alterar o padrão, sequência ou layout? Mudar o ritmo ou transpor causa e efeito? É possível inverter os papéis, significados? Como podemos dar uma nova perspectiva?

A criatividade é bem-vinda, por isso, é importante a participação de pessoas com perfis e conhecimentos muito diferentes.

As ideias que serão aproveitadas não saem prontas da sessão. Deverão ser posteriormente combinadas, aperfeiçoadas e validadas.

 

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