O Dia de Colombo e suas controvérsias

15 de outubro de 2020
Por  Iron English

O Dia de Colombo (ou Columbus Day) é um feriado nacional comemorado nos Estados Unidos e como forma de celebrar a chegada do italiano Cristóvão Colombo na América em 1492. O feriado ocorre anualmente na segunda segunda-feira do mês de outubro. Em 2020, o Columbus Day foi celebrado no dia 12. Em países latinoamericanos, comemora-se o Día de la Raza.

Apesar de sua ampla abrangência, sendo um feriado nacional, trata-se de um dia significativamente controverso: Colombo é entendido como o primeiro europeu a pisar nas Américas; entretanto, sua chegada significou também o apagamento e dizimação dos grupos indígenas e de suas culturas.

Nós da Iron English acreditamos fortemente na educação como um caminho para a transformação – e, para tal, ela deve ser completa e diversa. Nesse sentido, a multiculturalidade é um valor primordial para o ensino de idiomas. Enquanto escola de inglês online, não poderíamos deixar de valorizar e promover  diferentes aspectos da cultura anglófona dentro e fora de nossas salas de aula. Esses aspectos são, muitas vezes, contados de forma unilateral, sem levar em conta a diversidade. 

Como escola de inglês engajada com a educação de qualidade e a interculturalidade, o intuito deste artigo é apresentar uma versão diferente do Dia do Colombo: por que o Dia de Colombo é controverso e como podemos pensar em alternativas?

 

O que é o Dia de Colombo?

Anualmente, comemora-se na segunda segunda-feira de outubro a chegada de Cristóvão Colombo às Américas. Atualmente, faz aproximadamente cinco séculos da chegada do europeu; e cerca de três que o feriado é comemorado – mesmo que não de forma oficial, caráter que só adquiriu em 1937 com a proclamação de Franklin D. Roosevelt. O presidente foi amplamente influenciado pela ordem Knights of Columbus (ou Cavaleiros de Colombo, em português), uma das maiores organizações de católicos no mundo. De fato, comunidades católicas e italianas tiveram um papel significativo na comemoração do Columbus Day desde sua primeira comemoração, em 1792.

Apesar de não ser comemorado em todos os estados estadunidenses, o Dia de Colombo é um feriado nacional celebrado em muitas regiões através de desfiles (por exemplo, na Fifth Avenue de Nova Iorque) e atividades religiosas – particularmente católicas. 

A celebração significa, de forma um pouco caricata, a celebração daquele que teria significado o início da americana – entendido, portanto, como um herói e uma figura a ser louvada. Não podemos deixar de lado, entretanto, que já havia uma série de grupos indígenas, com suas culturas particulares, residindo na América. A chegada dos europeus, muitas vezes colocada como “descobrimento da América” é, na verdade, nada mais do que o início da dizimação da população antes residente no território – através da escravização de indígenas; catequização obrigatória; e chegada de novas doenças. 

 

As controvérsias do Dia de Colombo

Desta forma, a comemoração do Columbus Day coloca em questão a validade de celebrarmos figuras controversas que iniciaram séculos de exploração contra nativos. Se, por um lado, podemos reconhecer a importância de seus feitos para a História; de outro, devemos ter uma visão ampla e consciente e levar em consideração os efeitos da colonização europeia.

Escravidão

Assim que chegou ao atual Caribe, Colombo escravizou seis nativos, afirmando em seu diário que seriam bons criados. Esse foi apenas o começo de uma série de violências contra os indígenas que ali habitavam: durante os anos de colonização europeia, nativos foram forçados ao trabalho – principalmente em plantações e minas -, além de comercializados e enviados para outras regiões. 

Novas doenças

Se não bastasse a violência física contra os nativos, escravizando-os e proibindo rebeliões, os europeus destruíram parte de seus legados através da introdução de novas doenças, dizimando populações nativas na chamada América Pré-Colombiana.

É verdade, no entanto, que o intercâmbio de plantas, bens e animais realizado por Colombo entre as diferentes regiões do mundo – troca chamada pelos historiadores como Intercâmbio Colombiano, termo cunhado por Alfred W. Crosby – não teve apenas efeitos negativos: de fato, significou a tão almejada estabilidade alimentar na Europa. No entanto, a situação foi distinta para os nativos americanos: a intensa troca e a chegada dos europeus no território significou a chegada de doenças como, por exemplo, a varíola e a gripe. 

Cultura

A colonização trouxe não somente a violência física brutal contra esses indivíduos, mas também a violência simbólica: além das mortes que enfraqueceram a herança cultural desses nativos, a catequização obrigatória apagou parte de sua cultura. 

 

Resistências

As controvérsias referentes ao Dia de Colombo não passaram despercebidas. Além de protestos nos desfiles que celebram Colombo, uma série países e estados substituíram a comemoração pelo Indigenous Peoples’ Day (ou Dia dos Povos Indígenas, em português) como forma de celebrar as raízes e heranças nativas ao invés de colonizadoras e eurocêntricas. 

Essa substituição ocorreu em estados como Havaí, Alasca e Oregon, além de cidades como Denver, Phoenix e Los Angeles. A Venezuela, por sua vez, passou a comemorar, a partir de 2002,  o Dia da Resistência Indígena. Outros países latino-americanos, ao invés de celebrarem Colombo, comemoram o Día de la Raza, como forma de comemorar as diferentes raízes culturais das nações. 

(Fonte: History)

Se você chegou até aqui em sua leitura, provavelmente, como nós, você também é um grande entusiasta dos aspectos culturais que envolvem o aprendizado de uma língua estrangeira! Por isso, não deixe de conferir os demais artigos de Cultura do blog!

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