Eleições norte-americanas: entenda como o presidente é eleito

3 de setembro de 2020
Por  Iron English

Você é uma pessoa antenada nas notícias do mundo? Se interessa pela política internacional? Sonha em trabalhar ou estudar nos Estados Unidos? Então provavelmente, assim como inúmeros brasileiros, você também já deve ter se perguntado de que modo, afinal, funcionam as eleições norte-americanas

Para quem está acostumado com o nosso sistema eleitoral, o processo para a escolha do presidente dos EUA pode parecer longo e complicado demais. A verdade é que são muitos os detalhes – o voto indireto, as prévias, o colégio eleitoral – e, consequentemente, os questionamentos por eles suscitados também não são poucos.

A boa notícia de hoje é que, seguindo com a leitura deste artigo, você vai sanar, de uma vez por todas, as suas principais dúvidas em relação às eleições estadunidenses. Entenda, a seguir, como o presidente dos Estados Unidos é eleito. 

 

Mas, antes…

…é preciso ter algumas peculiaridades das eleições norte-americanas em mente. Em primeiro lugar, o voto popular não é obrigatório, o que faz com que boa parte da população acabe não se cadastrando para votar.

Ademais, embora existam vários partidos, a vaga da presidência é tradicionalmente disputada pelo Partido Republicano (Grand Old Party) e pelo Partido Democrata (Democratic Party), os quais definem os extremos da polarização política do país. 

Vale mencionar também que, ao passo que o Grand Old Party segue o pensamento liberal conservador enquanto linha ideológica, o Democratic Party é, hoje, mais achegado à esquerda democrática.

 

Foi dada a largada: as prévias

O marco inicial do ano eleitoral norte-americano se dá com as chamadas prévias. Nessa primeira fase, os eleitores escolhem delegados, os quais serão seus representantes na escolha do pré-candidato de cada partido que, acumulando a maioria dos votos, se tornará um dos candidatos à presidência.

Trata-se de um processo seletivo que, a depender daquilo pelo que cada estado optar, poderá acontecer através das primárias tradicionais ou dos caucus, sistema antigo e menos usual.

Nas primárias, a eleição é organizada pelas federações e a forma através da qual os eleitores irão eleger seus representantes pode variar. Há votação aberta, fechada, semiaberta, semifechada, entre outras. 

Os caucus, por sua vez, são organizados pelos partidos. Nesses eventos, apoiadores registrados se reúnem a fim de debater propostas, manifestar e ter contabilizado o seu apoio a um determinado concorrente.  

Através das prévias, todos os estados elegem os seus delegados, os quais representam a população na medida em que, geralmente, estão comprometidos, cada um deles, com um dos pré-candidatos. 

 

O meio do caminho: a escolha do candidato à presidência

O próximo passo, então, são as convenções partidárias – há a Convenção Nacional do Partido Democrata e a Convenção Nacional do Partido Republicano. É esse o momento que define quem, afinal, concorrerá à presidência! 

Funciona assim: os delegados eleitorais votam e o pré-candidato que tiver mais votos – ou seja, que contar com o apoio do maior número de delegados – é o grande escolhido que participará da disputa.

Depois de definidos aqueles que, em cada partido, serão os candidatos aos cargos de presidente e vice-presidente dos Estados Unidos, inicia-se verdadeiramente a corrida eleitoral mais impactante e influente do mundo!

 

Rumo à linha de chegada: as eleições gerais

Na primeira terça-feira de novembro após o dia 1º, acontecem as eleições gerais. Nelas, finalmente a população estadunidense vota no concorrente de sua preferência. A escolha do povo, porém, não basta para definir quem será o novo presidente.

Na verdade, o voto popular é computado em nível estadual e, na grande maioria dos casos, o candidato que vence – independentemente de ter obtido 55 ou 99% dos votos – fica com todos os delegados eleitorais do Estado! É o famoso sistema the-winner-takes-all

Isso significa que, assim como o resultado das prévias, o resultado das eleições gerais também depende dos delegados, os quais integram o colégio eleitoral

Assumirá a presidência o candidato mais votado na maioria das federações, não necessariamente porque recebeu a maior parte da soma dos votos dos eleitores americanos, mas porque acumulou mais delegados eleitorais.

Isso é possível porque os 538 membros do colégio eleitoral estão distribuídos de maneira desigual entre os estados. O número por federação é definido através da seguinte conta: 3 delegados + X delegados segundo a proporção da população estadual. Enquanto a Califórnia, por exemplo, conta com 55 delegados eleitorais, o Kansas tem apenas 6. 

A inevitável consequência é que os candidatos à presidência geralmente focalizam as suas campanhas nos estados que mais poderão contribuir para a sua vitória, isto é, naqueles que possuem mais delegados no colégio eleitoral.

 

Assim como a gente, sabemos que você é apaixonado pela cultura americana. Então, você precisa ler nosso artigo sobre os hábitos alimentares americanos que soam inusitados para os brasileiros.

 

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