Simple Past versus Present Perfect

24 de setembro de 2020
Por  Iron English

Como podemos esperar da relação entre duas línguas quaisquer, o inglês e o português nem sempre encontram correspondências exatas entre si, fato que, por muitas vezes, gera dificuldades para os brasileiros que estão buscando fluência na língua mais falada do mundo.

Essa questão fica mais perceptível e evidente quando consideramos o aprendizado dos tempos verbais do inglês, em seus usos determinados e em suas funções específicas. No que se refere à expressão do passado, por exemplo, é comum que muitos estudantes fiquem, num primeiro momento, bastante confusos. 

Quando optar pelo Simple Past? Em que situação usar o Present Perfect? Você também se questiona sobre quais, afinal, são as particularidades que caracterizam tais tempos verbais? Continue esta leitura e esclareça, finalmente, as suas dúvidas!

 

1. O Simple Past

Observe os seguintes exemplos:

 

(a) Did you go to the library last week? 

(Você foi à biblioteca na semana passada?)

 

(b) I didn’t (= did not) study English yesterday.

(Eu não estudei inglês ontem.)

 

(c) Two years ago she traveled to the United States with her boyfriend.

(Dois anos atrás ela viajou para os Estados Unidos com o namorado.)

 

(d) They bought this house in 2001

(Eles compraram esta casa em 2001.)

 

Nos valemos do Simple Past Tense quando exprimimos ações completas e pontuais. Em geral, estamos falando de eventos que começaram e terminaram numa faixa de tempo definida e específica do passado, a qual pode tanto estar explícita na fala quanto implícita no contexto. 

É justamente isso o que notamos nos quatro exemplos acima, em que as expressões grifadas – ‘last week’, ‘yesterday’, ‘two years ago’ e ‘in 2001’ – localizam a ação num ponto determinado do longo espaço de tempo compreendido pelo passado.

Observemos que, nas orações interrogativas e negativas, exemplificadas respectivamente em (a) e em (b), o Simple Past se constrói a partir do auxiliar did (forma passada de do). 

Nas orações afirmativas, porém, é o verbo principal que se transmuta. Se irregular, origina uma forma própria – em (d), ‘buy vira ‘bought’. Se regular (c), vem acrescido de -ed (com variações para -ied e -d), um sufixo que carrega a marca do passado. 

 

2. O Present Perfect

Leia as orações abaixo:

 

(e) Have you read this book?

(Você leu este livro?)

 

(f) We haven’t (= have not) watched that sitcom yet.

(Nós ainda não assistimos aquela série de comédia.)

 

(g) I’ve (= I have) just finished my homework.

(Eu terminei a minha lição de casa há pouco tempo. / Eu acabei de terminar a minha lição de casa.)

 

(h) He has never studied French before.

(Ele nunca estudou francês antes.)

 

O Present Perfect, construído na junção do auxiliar have/has com o particípio dos verbos principais, tem muitas funções e, por isso, pode ser empregado a fim de criar efeitos de sentido os mais diferentes entre si

Nas orações acima, podemos observar alguns deles, atentando para as peculiaridades que fazem com que, em alguns contextos, a utilização do Present Perfect seja mais adequada do que a utilização do Simple Past.

Ressaltemos primeiro que, mais importante do que o período em que o evento aconteceu, é o evento em si mesmo. Como observamos em (e), a ação ‘to read the book’ é a peça central da comunicação. O “quando” da ação, por sua vez, não aparece: é indefinido e irrelevante; está circunscrito em um ou em vários momentos indeterminados do passado. 

Isso quer dizer que, diferente do que vimos nos exemplos (a), (b), (c) e (d), aqui não cabem expressões de tempo muito específicas. Ao invés disso, proliferam-se termos como ‘yet’ (f), ‘just’ (g), ‘never’ (h), ‘ever’, ‘already’, ‘many times’, ‘since’, entre outras.

Importa dizer ainda que, como sugere o seu nome, o Present Perfect expressa eventos próximos, os quais, de alguma maneira, estão ligados, implicam resultados ou interferem diretamente no presente. Por vezes, diz respeito também a ações que, iniciadas no passado, ainda estão em curso no agora. 

 

3. Simple Past versus Present Perfect

Com base no que já discutimos, fica fácil perceber a diferença de sentido entre as seguintes orações:

 

(i) I didn’t have breakfast yesterday.

(Eu não tomei café da manhã ontem.)

 

(j) I haven’t had breakfast yet.

(Eu ainda não tomei café da manhã.)

 

Enquanto em (i) a ação já está terminada e encerrada num espaço de tempo específico do passado – o ontem -, em (j) temos uma ação que, mesmo ocorrida no passado, se projetada para o presente. É quase como dizer: “I haven’t had breakfast yet, but I still have some time, I can change it now” (“Eu ainda não tomei café da manhã, mas eu ainda tenho tempo e posso mudar isso agora”). Basta, afinal, passar numa Starbucks e comprar um copo de café e uma fatia de brownie, não é verdade?

Lembre-se de que essas são apenas as regras gerais que diferenciam o Simple Past do Present Perfect e de que, na prática, os empregos de tais tempos podem variar bastante. A maior evidência disso não é outra senão o fato de que os ingleses constroem infinitamente mais sentenças com o Present Perfect do que os norte-americanos!

E aí, dúvidas esclarecidas? O mais importante é ter em mente que só com tempo de estudo e de exposição à língua inglesa certas estruturas serão internalizadas e, finalmente, passarão a ser produzidas natural e intuitivamente.

 

Você também pode acompanhar nosso artigo sobre como utilizar corretamente os phrasal verbs

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